terça-feira, 2 de outubro de 2007

Luanda


"(...)E toda esta gente movendo-se pelos passeios, acotovelando-se nas esquinas, numa espécie de jogo universal da cabra-cega.Moços líricos. Moças tísicas.(...)
Meninos vendendo cigarros, chaves, pilhas, pipocas, cadeados, almofadas, cabides, perfumes, telemóveis, balanças, sapatos, rádios, mesas, aspiradores. Meninas vendendo-se à porta dos hotéis. Meninos apregoando quimbembeques, espelhos, colas, colares, bolas de plástico, elásticos para o cabelo(...) Mutilados hipotecando as próteses(...)
(pregões)Lavo... Guardo!... Engraxo!
Se fosse uma ave, Luanda seria uma imensa arara, bêbada de abismo e de azul.(...)Se fosse uma mulher, seria uma meretriz mulata, de coxas exuberantes, peito farto, já um pouco cansada, dançando nua em pleno Carnaval."
In AS MULHERES DO MEU PAI, José Eduardo Agualusa
A descrição é tal e qual a que eu vi e vivi quando em 2000 estive em Luanda.Viagem fantástica. Histórias incriveis para recordar. País enorme, cheio de vida. Uma cidade cosmopolita, numa degradação estranha e uma vida louca. Luanda não será Nova York ou qualquer terminal de Aeroporto, mas junta gente do Mundo, de todos os cantos de Angola, vendendo tudo...As ruas respiram vida, intensa. O transito é caótico, desordenado. Na baía, os postes de iluminação são protegidos por grandes blocos «evita-se que quem volta dos bares os derrube». O futebol era o ópio do povo. Terra de contrastes. Os carros, topo de gama, blindados. Os mutilados e os orfãos, saindo de um qualquer esgoto, na mesma rua onde os mesmos carros passam. Por tudo, Luanda é fantástica. Angola um país imenso...
Um dia gostava de lá voltar...

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